
Nada mais faz sentido, se os sentidos não fazem
O azul vira preto, enquanto o cheiro do café vai embora
Tudo perde seu toque, o toque perde seu tudo
Trilhos que levam um barco ao aeroporto, enferrujado ainda
Trilhos vermelhos, com sangue de ódio nas bordas
Pingando pelo caminho, enquanto um louco corre
Corre com um coração em uma mão e os olhos em outra
Um grito calado, ecoado por três esquinas
Um susto, uma preocupação, um nada
Um nada que quer ser, quer ser algo que não seja nada
Um canibal que se devora por pena do animal abatido
Sente todo dia as marteladas perfurarem sua cabeça
Esmagando-a num asfalto sujo com lixo e vômito em volta
Apenas um desabafo, um espirro de ser
Somente uma gota perdida, caindo ao oceano
Com medo de se molhar...
Nada mais faz sentido, se os sentidos não fazem...



